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CLAUDIO ANDRADE

O momento não é de fuga, mas sim de movimentação diferente.

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Percepção todos nós temos. Mesmo assim não há percepção igual. Há sim inúmeras leituras diferentes. Apesar disto ouso dizer que a percepção da maioria absoluta dos brasileiros em relação à perspectiva eleitoral  está em defender a superação da violência estrutural (em razão de nosso medo); uma igualdade razoável, econômica e social(em razão de que todos somos seres humanos iguais e temos o conceito de dignidade); e o fim da impunidade (em razão de que a justiça nem sempre é justa). Tenho a impressão que estas três pautas unem todos os brasileiros razoáveis. Não dá para incluir aqui os fundamentalistas.  Talvez seja por esta razão que uma grande maioria estava inclinada em apoiar Bolsonaro ( discurso da segurança ); Lula ( igualdade ) e o  próprio Judiciário ( fim da impunidade ).

Neste contexto, óbvio que as minorias estão mais ativas e mais aparelhadas.   Em um mundo com medo e inseguro quem grita e se expõe de maneira mais organizada tende a levar. A maioria, quase sempre, fica perplexa e paralisada. O silêncio da maioria e sua impotência beneficia  as minorias  e estas agradecem. Mesmo que neguem, a prisão do ex-Presidente mexeu com nossa forma de perceber as coisas, afinal temos brasileiros para todos os gostos.  O fato é que dentro dos discursos pró e contra Lula e seu ‘lulismo’  há átomos tão divididos quanto bactérias. O imaginário do brasileiro é confuso e heterogêneo, ou seja, motivado por diversas situações estranhas, sendo impossível alcançar a unidade no seio da multidão.

Mesmo que negue e que não se prove com a materialidade de São Tomé, óbvio que Lula teve vantagens. Obvio que não foi só ele e que muitos outros profissionais da política,  de partidos distintos,  estão tão envolvidos ou mais. Afinal até representantes da justiça maior estão contaminados por esquemas tão ilícitos quanto a ilicitude. É neste cenário que temos que acordar amanhã cedo e produzir. Eis que a  vida segue. É neste cenário que dependemos [ alguns mais, outros menos] do Estado e de suas decisões.  É neste contexto que assistiremos o desfile de velhos e novos candidatos nas eleições que se aproximam. Como temos a tendência de nivelar sempre por baixo em face de nosso  pessimismo à flor da pele, torceremos o nariz e viraremos as costas para quase todos. Esquecemos, na maioria das vezes, que mágoa e indiferença não resolve. O que resolve, mesmo que pouco, é a crença de que há solução para o Brasil, Paraná e nossa região. Aprendi que quando se está com dor, falar mal da dor e ficar em silêncio com dor não inibe a dor, sequer estanca. É necessário se movimentar em direção àquilo que pode atenuar a dor ou acabar com a mesma, mesmo que gradativamente. Remédios sempre existiram e continuam existindo. Alguns não estão ao nosso alcance, outros podem estar. É assim que vejo a política neste estágio de crise da crise. O momento urge que saibamos separar interesse imediato de interesse verdadeiro, até porque a cegueira moral parece estar maior que a cegueira física. Se tem algo que precisamos ter neste momento é ‘inteligência e juízo’. Como não somos bestas nem superiores [ já dizia Aristóteles ] precisamos sobreviver e agir nesta sociedade nacional e local, preferencialmente com razão ao invés do soco.  Deste modo acredito que as coisas podem se encaminhar em uma direção no mínimo razoável. Óbvio que defendo a condenação em segunda instância para todos. Óbvio que defendo o fim do foro privilegiado. Óbvio que defendo que a coisa pública seja pública e que o Estado seja firme e que com leis legítimas podemos voltar a não ter medo e a viver razoavelmente bem, acreditando na lei e em algumas instituições.  Para isto não podemos ter medo e nas próximas eleições voltar a votar com a razão, com o voto calculado e milimétrico, punindo alguns com derrotas e acreditando na esperança de outros. É assim que o Brasil deve acordar amanhã. Eu me decidi. Você também precisa se decidir.

  • Claudio Andrade é autor do livro Estratégias Políticas de Instâncias Locais, graduado em Filosofia e Doutor em História e Sociedade pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Atualmente é professor do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) e coordenador do Curso de Especialização Ensino de Sociologia. É Colunista da Rede Sul Notícias e crbf/coluna.

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